Agrorobótica e Gestão de Dados

Trator autônomo iQuus mostra ganho de horas efetivas no campo

Trator autônomo iQuus já roda em 21 propriedades europeias desde o fim de 2023, convertendo tratores convencionais em máquinas que trabalham sozinhas por até 24 h e prometem cortar horas de operador – mudança que chama atenção de quem busca produtividade sem comprar um veículo novo.

Retrofit transforma tratores CVT em máquinas sem operador

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Desenvolvido pela holandesa GPX Solutions, o pacote iQuus custa a partir de € 50 mil e utiliza o barramento CAN para controlar tratores com transmissão CVT ou powershift. O kit inclui GPS Raven, três câmeras LiDAR, módulo de frenagem de segurança e terminal próprio para programação de rotas, manobras em cabeceira e gestão de velocidade.

A solução foi testada em modelos Fendt 516, New Holland T6.180, Steyr Expert 4130 CVT e Massey Ferguson 7719S. A principal evolução da última safra foi o reversing automático na cabeceira, recurso exigido pelos produtores holandeses e que agora funciona inclusive em curvas fechadas com implementos de 3 pontos.

O que muda na prática para o produtor

Participantes do programa NPPL relataram que o trator autônomo assumiu tarefas repetitivas – gradagem, subsolagem e preparo de solo –, liberando operadores para plantio ou pulverização em paralelo. Como a máquina não faz pausas para café nem encerra turno cedo, o ganho real aparece em jornadas estendidas, desde que o implemento permaneça no mesmo talhão por várias horas.

A segurança é garantida por paradas automáticas quando pessoas, animais ou objetos entram no raio dos sensores. Ainda assim, usuários pediam monitoramento visual; a GPX libera em 2024 o “vision streaming” com cobrança anual ainda não definida.

Limitações atuais e próximos passos

O retrofit ainda não conversa via ISOBUS com implementos, o que impede alertas de quebra ou entupimento. Em um teste com apoio da Universidade de Wageningen, sensores de simples instalação no rotoencanteirador elevaram a confiança para deixar o iQuus trabalhando sem vigia. Outra restrição é o transporte entre áreas, que continua exigindo motorista.

Segundo GPX, grande parte das demandas dos produtores – como mapear faixas de colheita de 2,30 m dentro de talhões de 3 m – depende mais de software do que de hardware e deve chegar em futuras atualizações remotas, sem custo extra.

Economia de mão de obra e menor compactação do solo

Para o produtor de bulbos Stef Ruiter, primeiro a comprar o sistema, a vantagem não se resume a reduzir salários. “A autonomia me permite aproveitar janelas ideais de operação e considerar tratores menores e mais leves, reduzindo compactação e melhorando o arranque da cultura”, afirma.

Estimativas internas indicam que o investimento pode se pagar em dois a quatro anos, dependendo da quantidade de hectares trabalhados e do custo da hora de tratorista — número que tende a subir com a escassez de mão de obra no campo europeu, tendência que também pressiona o mercado brasileiro.





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Crédito da imagem: Futurefarming Fonte: Futurefarming

Francisco devruk

Amiltom

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