Onda de calor mantém Sul e MS acima de 40 °C até 1º/4
Onda de calor faz termômetros dispararem mais de 5 °C acima da média em boa parte da Região Sul e no sul de Mato Grosso do Sul, situação que deve persistir pelo menos até quarta-feira, 1º de abril, exigindo atenção redobrada de produtores rurais e gestores de lavouras.
Bolha de ar quente vinda da Argentina sustenta a alta
Segundo a Climatempo, uma bolha de calor estacionada entre o Paraguai e o norte da Argentina avançou sobre o Brasil, bloqueando frentes frias e mantendo o céu aberto. Com a radiação solar sem nuvens para filtrar, as máximas ultrapassam 40 °C em diversas localidades. A característica técnica que define a onda — mais de cinco dias consecutivos com temperaturas ao menos 5 °C acima da climatologia — já foi confirmada.
O Instituto Nacional de Meteorologia (Inmet) mantém alerta vermelho até 18 h de terça-feira, 31/3, classificando a condição como “grande perigo” para a saúde humana e animal. Desidratação, estresse térmico em bovinos de corte e queda de produtividade em culturas sensíveis, como hortaliças e trigo em fase inicial, entram no radar.
Regiões mais atingidas e impactos no campo
No Rio Grande do Sul, as áreas centro-ocidental, noroeste, sudoeste e sudeste concentram os picos de calor. Regiões das Missões, Campanha, Fronteira Oeste e parte do Planalto trazem relatos de tardes acima de 42 °C, encurtando o período diário seguro para aplicações de defensivos.
Em Santa Catarina, o oeste é o ponto crítico, enquanto no Paraná o calor se intensifica no sul e no oeste do Estado. Já em Mato Grosso do Sul, o sul e o oeste — inclusive zonas próximas ao Pantanal — entram na lista de maior risco. Produtores de soja em reta final de colheita aceleram operações para evitar danos na qualidade do grão, e pecuaristas ajustam lotação de pastagens para reduzir o estresse dos animais.
Na prática, o fenômeno amplia a evapotranspiração, exigindo irrigação suplementar em hortifrútis e sistemas de gotejamento em fruticultura. Em confinamentos bovinos, a recomendação é reforçar sombreamento e oferta de água fresca. O calor intenso também afeta o rendimento operacional de máquinas, levando gestores a programar trabalhos de campo nas primeiras horas da manhã ou após 17 h.
Quando o alívio deve chegar
Modelos meteorológicos indicam que a onda de calor perde força a partir de quinta-feira, 2/4, quando uma frente fria avança pelo litoral sul do Brasil, aumentando a nebulosidade e derrubando as máximas gradualmente. Até lá, a orientação é monitorar estufas, sistemas de irrigação e níveis de conforto térmico em galpões avícolas e suinícolas.
Para o planejamento de médio prazo, a tendência é que abril inicie com temperaturas mais próximas da média histórica, favorecendo o início do plantio de milho safrinha em áreas onde a janela estava comprometida pelo calor.
O ponto que mais chama atenção é a combinação de alta temperatura, baixa umidade relativa e radiação intensa, um tripé que pode elevar perdas de até 15 % em culturas de ciclo curto se medidas de mitigação não forem adotadas. Produtores devem acompanhar atualizações diárias para ajustar a logística de insumos e a estratégia de manejo.
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Crédito da imagem: Globorural.globo Fonte: Globorural.globo
