Agricultura orgânica no Brasil: ciência ganha destaque mundial
Agricultura orgânica no Brasil acaba de receber um reconhecimento raro: o professor Ulrich Köpke, da Universidade de Bonn e presidente da ISOFAR, afirma que a pesquisa brasileira está “na frente” do cenário mundial e que o mercado global subestima esse potencial. O elogio vem em um momento em que o segmento movimentou € 145 bilhões em 2024, impulsionado por biopesticidas desenvolvidos majoritariamente no país, e sinaliza oportunidades diretas para produtores, consultores e empresas do agro.
Biopesticidas brasileiros viram vitrine tecnológica
Köpke lembra que já existem cerca de 600 formulações comerciais de biopesticidas registradas no Brasil, grande parte aplicadas na soja. Esse arsenal, aliado à pesquisa pública e à parceria com agricultores, coloca o país como referência em soluções de baixo impacto ambiental. Segundo o pesquisador, a adoção dos chamados natural phytotoxic ingredients (NPI) abre caminho para reduzir dependência de químicos sintéticos sem ferir os critérios de certificação orgânica.
Os dados reforçam estudos da Embrapa sobre bioinsumos, que apontam ganhos de produtividade e menor custo de manejo quando o produtor integra controle biológico e práticas de solo saudável. Na prática, isso significa menor risco de contaminação, diferenciação de mercado e, a médio prazo, margem melhor para quem já opera com insumos cada vez mais caros.
Crescimento global guiado pela demanda, não pela oferta
De acordo com o relatório “World of Organic Agriculture 2026”, a produção certificada cobre hoje 100 milhões ha e cresce entre 2 e 2,5 milhões ha por ano, mas ainda representa só 2,1 % da área agrícola mundial. Para Köpke, a expansão seguirá ditada pela renda do consumidor e pela capacidade de logística — gargalos que o Brasil precisa resolver para escalar frutas, hortaliças frescas e, no futuro, proteínas orgânicas.
Mesmo assim, exemplos da Alemanha mostram que, à medida que supermercados populares incorporam orgânicos, o volume explode. “Nenhum varejista quer ficar fora desse nicho”, resume o professor. No Brasil, isso pode significar novas janelas para produtos com identidade local, como pão de queijo ou cortes de churrasco certificados.
O que muda para quem produz no campo
Köpke recomenda que produtores interessados visitem fazendas orgânicas já consolidadas, conversem com pesquisadores da Embrapa e avaliem viabilidade econômica caso a caso. O ajuste principal passa por:
- Combinar incremento de produtividade com bio-herbicidas e outras ferramentas ambientais;
- Planejar certificação e logística para manter frescor e sabor até o consumidor final;
- Diversificar culturas a fim de aumentar biodiversidade e diluir riscos de mercado.
Na avaliação do especialista, a pesquisa sobre microbioma do solo — campo em que o Brasil também avança — será a ponte entre saúde do solo, produtividade sustentável e valor agregado nos próximos anos.
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Crédito da imagem: Globorural.globo Fonte: Globorural.globo
