Preços do algodão sobem, mas guerra ameaça demanda global
Preços do algodão reagiram nas bolsas internacionais nas últimas semanas, impulsionados pela disparada do petróleo, mas o setor já vê um risco claro: o conflito no Irã encarece frete, fertilizantes e pode reduzir a compra de roupas, alerta Marcelo Duarte, diretor de Relações Internacionais da Abrapa.
Petróleo caro puxa a pluma, mas encarece insumos
Na Bremen Cotton Conference, na Alemanha, Duarte explicou que o bloqueio parcial do Estreito de Ormuz elevou o valor do barril e, com isso, do poliéster – principal concorrente do algodão. O resultado imediato foi um ganho nominal para a fibra natural. No entanto, a mesma alta do petróleo pressiona óleo diesel, fertilizantes nitrogenados e logística, itens que respondem por parcela expressiva dos custos de produção nas fazendas brasileiras.
Inflação e menor poder de compra podem travar o consumo
Com o combustível mais caro, o transporte marítimo vive “pane geral”, segundo o dirigente, o que eleva o preço final de peças de vestuário. Esse efeito combinado alimenta a inflação global, reduz o poder de compra do consumidor e, na prática, pode derrubar pedidos de confecções e fiações nos próximos trimestres. “É uma faca de dois gumes”, resumiu Duarte.
Competitividade do algodão cresce frente à fibra sintética
Mesmo com o risco de demanda menor, a pluma ganha competitividade enquanto o poliéster, derivado direto do petróleo, fica mais caro. O diretor lembrou que, além do câmbio favorável, o mercado olha com atenção para possíveis cortes de oferta caso o custo dos adubos siga subindo – cenário que sustentaria a cotação da commodity.
Produtor deve monitorar frete, fertilizante e moda
Para o produtor brasileiro, o ponto crítico agora é equilibrar a conta. De um lado, a pluma vale mais; de outro, diesel, adubo e transporte pressionam margens. A recomendação é acompanhar contratos de frete, planejar a compra antecipada de insumos e observar a evolução do varejo de moda, termômetro direto da demanda. Dados da Organização das Nações Unidas para Alimentação e Agricultura (FAO) indicam que choques de oferta no transporte costumam refletir nos preços do algodão com alguns meses de defasagem, reforçando a necessidade de atenção contínua.
Imagem e sustentabilidade entram na conta
Duarte também destacou a importância de comunicar melhor a rastreabilidade: o algodão é hoje a segunda commodity mais monitorada do mundo, atrás apenas do café. Em um mercado onde o consumidor questiona a pegada ambiental das fibras sintéticas, essa transparência pode virar diferencial competitivo, sobretudo se a cadeia conseguir simplificar a mensagem de sustentabilidade na gôndola.
Em resumo, o cenário combina preços firmes com custos ascendentes e demanda incerta. Para acompanhar mais análises sobre rentabilidade, custos e gestão econômica da lavoura, visite nossa editoria de economia na lavoura digital.
Crédito da imagem: Globorural.globo Fonte: Globorural.globo
