Argentina libera 15% de etanol na gasolina para cortar custos
Argentina etanol na gasolina ganha novo impulso com a decisão do governo de permitir, já a partir desta sexta-feira (27), a mistura voluntária de até 15% de etanol na gasolina – movimento que busca amortecer o repique do petróleo e conter o avanço nos preços nas bombas.
O que muda com a flexibilização de 15% de etanol
Publicada pela Secretaria de Energia, a resolução eleva o limite de oxigênio no combustível para 5,6%, abrindo espaço técnico para que as refinarias troquem parte da gasolina fóssil por etanol anidro. Na prática, a medida:
- dá liberdade operacional às empresas, sem criar nova obrigação de mistura;
- mantém intacta a mistura mínima atualmente exigida por lei;
- não altera o regime de biodiesel, que segue podendo chegar a 20%.
Como o etanol tende a custar menos que a gasolina importada em momentos de petróleo caro, a autorização pode reduzir o custo médio do litro vendido ao consumidor.
Pressão do petróleo e alta de 18% nas bombas
A decisão chega em meio a um salto de 18% nos preços da gasolina em março, segundo analistas locais, reflexo direto da escalada do conflito envolvendo Estados Unidos, Israel e Irã. No acumulado de 12 meses, a alta já supera 60% no país vizinho.
Para as usinas sucroenergéticas e destilarias de milho, o novo teto de 15% representa uma janela comercial adicional: mais demanda potencial sem depender de mudança legal obrigatória. Além de aliviar o caixa das distribuidoras, o governo aposta que a oferta interna de etanol ajude a diluir parte da volatilidade internacional do petróleo.
Impacto para produtores e mercado de biocombustíveis
Mesmo sem tornar o percentual obrigatório, o sinal oficial reforça a relevância do biocombustível na matriz energética argentina. Para o produtor rural, sobretudo de cana-de-açúcar e milho, isso se traduz em:
- possível aumento na procura por matéria-prima destinada ao etanol;
- melhor previsibilidade de escoamento em cenários de excedente de safra;
- perspectiva de investimentos em plantas de destilação ou modernização de unidades já existentes.
Segundo a Organização das Nações Unidas para Alimentação e Agricultura (FAO), políticas que ampliam a participação de biocombustíveis tendem a fortalecer cadeias locais, gerar emprego e reduzir emissões, benefícios também apontados pela Secretaria de Energia.
Ao liberar a mistura maior, Buenos Aires busca ainda manter a competitividade regional: hoje, o Brasil opera com 27% de etanol anidro na gasolina, enquanto os Estados Unidos adotam até 10% (E10) em nível federal, com exceções estaduais superiores.
A evolução da medida será monitorada por refinarias, distribuidoras e setor agroindustrial para avaliar o impacto real nos preços e na demanda por grãos. Para seguir acompanhando análises sobre produtividade, economia rural e eficiência de custos no agro, visite nossa editoria em lavoura digital e econômica.
Crédito da imagem: Forbes Fonte: Forbes
