Cooperativa Tradição ativa planta de 3 mil t/dia de soja no PR
Cooperativa Tradição acaba de inaugurar, em Pato Branco (PR), um complexo industrial 4.0 capaz de processar 3 mil toneladas de soja por dia, resultado de um aporte de R$ 770 milhões que promete reduzir custos logísticos, reter valor na origem e abrir novas frentes de renda para quase 3 mil cooperados.
Investimento robusto e tecnologia de ponta
Planejada desde 2021 e erguida em tempo recorde ao longo de 2023 e 2024, a nova fábrica reúne automação avançada, sistemas de inteligência artificial para controle de processo e equipamentos de baixo consumo energético. Segundo o diretor-executivo Fernando Alan Tonus, o projeto coloca a Tradição “na Indústria 4.0, com alta eficiência operacional e mais sustentabilidade”. Dos R$ 770 milhões injetados, R$ 34 milhões vieram de linhas do Banco Regional de Desenvolvimento do Extremo Sul (BRDE).
Impacto direto na lavoura e na logística
Até agora, parte expressiva da produção local seguia in natura para esmagadoras distantes ou para o porto. Com a planta, o grão passa a ser beneficiado na própria região, transformando-se em óleo e farelo – itens de maior valor agregado. Na prática, isso significa menor gasto com transporte, retenção de impostos no município e receita extra para o produtor, que deixa de depender apenas da cotação do grão bruto.
Geração de emprego e efeito multiplicador
A cooperativa projeta 180 vagas diretas e uma cadeia de serviços que deve aquecer transporte, manutenção, fornecimento de insumos e comércio local. O complexo também fortalece a estratégia de intercooperação: além de absorver toda a soja dos 2.898 cooperados da Tradição, a unidade poderá processar volumes de cooperativas vizinhas, ampliando a circulação de recursos no Sudoeste do Paraná.
Números que chamam atenção
- Capacidade de esmagamento: 3.000 t/dia de soja
- Área de atuação da Tradição: 45 municípios e 535 mil ha
- Presença em 7 estados, além do Paraná
- Investimento total: R$ 770 mi, sendo R$ 34 mi financiados
Para comparar, a média de plantas de médio porte no país gira em torno de 1,5 mil t/dia, segundo dados da Embrapa Soja. O ritmo da Tradição, portanto, mais que duplica esse patamar e coloca o Paraná em posição estratégica no mercado interno de óleo vegetal e de farelo destinado à ração.
Por que o movimento é estratégico agora
O sul do Brasil vive cenário de expansão na demanda por proteína animal, o que puxa o consumo de farelo. Ao mesmo tempo, a busca global por biocombustíveis eleva a necessidade de óleo. A nova fábrica se encaixa nesse contexto e ainda reduz a exposição dos cooperados às oscilações de preço do grão in natura, diversificando as fontes de receita.
Ao inaugurar uma indústria 4.0 com foco em valor agregado, a Tradição antecipa uma tendência de verticalização que deve ganhar força entre cooperativas brasileiras. Para acompanhar outros avanços em automação, inteligência artificial e eficiência industrial no campo, visite nossa editoria de automação agrícola e IA.
Crédito da imagem: Amanha Fonte: Amanha
