Mercado brasileiro de milho trava com incertezas e dólar firme
Mercado brasileiro de milho encerra a semana praticamente parado: produtores e consumidores evitam fechar negócios diante da combinação de colheita acelerada, logística cara e dólar mais forte, fatores que ampliam a pressão sobre as cotações e dificultam a formação de preço.
Colheita avança e aperta as cotações nos portos
Com safra entrando em ritmo de pico, a oferta física aumenta justamente quando a liquidez seca. Nos portos, a saca de 60 kg oscilou entre R$ 69 e R$ 73 em Santos e de R$ 68,50 a R$ 73 em Paranaguá, valores inferiores ao observado no início do mês. Internamente, Cascavel (PR) fechou entre R$ 64 e R$ 66, enquanto Campinas (SP), referência para indústrias e ração, marcou R$ 74 a R$ 75 CIF.
Além da maior disponibilidade, fretes continuam firmes e a janela de exportação curta pressiona produtores a revisar estratégias de venda. Segundo analistas, o movimento pode intensificar a partir de maio caso os volumes no campo superem a capacidade de armazenagem.
Dólar em alta e Chicago volátil ampliam cautela
O câmbio subiu 0,28% nesta quinta (R$ 5,2709), refletindo o receio global com a guerra no Oriente Médio. Em paralelo, contratos de milho para maio/26 em Chicago avançaram 0,53%, para US$ 4,69½/bu, sustentados por demanda interna nos EUA e preço do petróleo em alta. A disparidade entre o dólar mais caro e ganhos tímidos em Chicago aumenta a incerteza sobre a rentabilidade das exportações brasileiras.
O cenário externo também eleva o risco inflacionário, mantendo investidores afastados de ativos agrícolas. Para quem acompanha fundamentos, a recomendação é monitorar dados de oferta e demanda — a Conab divulga novos números de safra nas próximas semanas — e revisar posições conforme o andamento do câmbio.
O que muda na prática para produtor e comprador
• Produtor: com preços pressionados e custos logísticos em alta, segurar estoque pode ser alternativa enquanto se avalia a curva do dólar. • Indústria e ração: oportunidade pontual de compra existe, mas volatilidade cambial recomenda repasse gradual ao longo da cadeia. • Exportador: precisa calibrar janelas de embarque para não colidir com picos de frete e congestionamento portuário.
O detalhe que mais chama atenção é a diferença regional: em Rondonópolis (MT) a saca recuou para R$ 54-57, refletindo distância dos portos, contra R$ 75 em Campinas, evidenciando espaço para arbitragem interna caso logística permita.
Para seguir a evolução de preços, custos e estratégias de comercialização, acompanhe nossa editoria de lavoura digital e economia no campo.
Crédito da imagem: Maissoja Fonte: Maissoja
