Aumento da mistura de biodiesel travado impacta custo do diesel
Aumento da mistura de biodiesel previsto em lei para subir de 15% para 16% ainda não saiu do papel, e o impasse técnico no governo federal mantém a pressão sobre o preço do diesel, que já ultrapassa R$ 7 na bomba em várias regiões.
Reunião adiada e exigência de testes seguram o B16
A elevação da mistura depende de aval do Conselho Nacional de Política Energética (CNPE), ligado ao Ministério de Minas e Energia. Um encontro do colegiado marcado para 26 de março foi cancelado sem explicação oficial, frustrando o setor de biocombustíveis. Pela Lei do Combustível do Futuro, o B16 só pode ser adotado depois da “comprovação de viabilidade técnica” em motores — testes que, segundo documento interno do grupo de trabalho do ministério, podem levar até 14 meses.
Em nota ao Agfeed, a pasta reiterou que “sem testes não há como cumprir o cronograma”. O orçamento estimado para os ensaios é de R$ 10 milhões, verba que o Executivo diz não ter no momento. Produtores de biodiesel se dispõem a bancar a diferença para acelerar o processo.
Diesel mais caro e déficit de produção pressionam o Brasil
Enquanto o B16 não avança, o diesel segue em alta, puxado pelos gargalos logísticos depois que o Irã restringiu o tráfego no Estreito de Ormuz. Levantamentos mostram reajustes entre 20% e 25% em um mês, com o litro acima de R$ 7 na maior parte do país. A Petrobras aumentou R$ 0,38 por litro nas distribuidoras em 14 de março, e o governo zera PIS/Cofins, concede subvenções de até R$ 1,20 por litro aos importadores e eleva impostos sobre exportações para conter o impacto ao consumidor.
Mesmo assim, a dependência externa permanece. A Empresa de Pesquisa Energética (EPE) calcula que a produção nacional de 132,4 bilhões de litros de diesel cobre apenas 76% da demanda projetada para este ano, deixando um déficit de 41 bilhões de litros que vem, sobretudo, do Oriente Médio.
Setor vê biodiesel como solução rápida e barata
Entidades como Aprobio e Abiove afirmam que a indústria tem capacidade instalada, matéria-prima e cadeia estruturada para atender a mistura maior imediatamente. Para elas, injetar mais biodiesel reduziria importações e aliviaria o caixa público, hoje comprometido com subsídios bilionários. A expectativa é concluir os testes em 45 dias, bem abaixo dos sete meses indicados pelo Ministério de Minas e Energia em cenário otimista.
Erasmo Carlos Battistella, CEO da Be8, e André Lavor, da Binatural, reforçam que ampliar o B15 é a “única solução viável no curto prazo” para evitar risco de desabastecimento. A Be8 tem capacidade anual de 1,71 bilhão de litros e faturou R$ 10 bilhões em 2024, alta de 37% sobre o ano anterior. A Binatural investe R$ 100 milhões para elevar a produção de 600 milhões para 700 milhões de litros até 2026.
Para conhecer detalhes sobre a política oficial de biodiesel e o cronograma de testes, acesse a página do Ministério de Minas e Energia, fonte de referência sobre o tema.
O governo promete “dar celeridade” à montagem das bancadas de teste e já ampliou de duas para seis estruturas de ensaio. Caso consiga instalar mais quatro, a meta é avaliar diretamente o B20 até dezembro, segundo interlocutores do setor.
No curto prazo, porém, o produtor rural continua à mercê de um combustível importado e caro. A adoção do B16 poderia significar economia imediata no frete, redução da pegada de carbono e maior previsibilidade de custos de operação.
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Crédito da imagem: Agfeed Fonte: Agfeed
