Calor de 38°C avança e temporais isolados elevam risco no campo
Calor de 38°C volta a pressionar partes do Sul e do Centro-Oeste enquanto pancadas intensas atingem o litoral do Espírito Santo e da Bahia, gerando um cenário de extremos que exige reação rápida de produtores rurais, cooperativas e técnicos de campo.
Ondas de calor chegam a 5 °C acima da média no Sul e em MS
A massa de ar quente que cobre o interior do continente nas próximas horas deve levar os termômetros a picos de 38 °C, com anomalias de até 5 °C acima da climatologia para abril no Rio Grande do Sul, Santa Catarina, Paraná e Mato Grosso do Sul. Esse desvio, embora curto, acelera a evapotranspiração, aumenta o consumo hídrico das culturas de milho safrinha e soja tardia e pode antecipar o estresse em áreas onde a umidade do solo já está limitada.
O calor também favorece a proliferação de pragas como lagarta-do-cartucho e percevejo-barriga-verde, além de elevar a pressão de doenças bacterianas em hortaliças. Na prática, o manejo precisar ser revisto: irrigação suplementar, monitoramento mais frequente e ajuste fino na aplicação de defensivos tornam-se medidas críticas para proteger rendimento e qualidade.
Chuvas fortes na faixa litorânea do ES e BA ampliam risco de excesso de umidade
Enquanto o interior sente o peso do calor, zonas costeiras do Espírito Santo e do sul da Bahia entram em alerta para acumulados acima de 70 mm em curto intervalo. As tempestades causam encharcamento de áreas de cacau, café conilon e pastagens, reduzindo a oxigenação do solo e abrindo espaço para patógenos como Phytophthora.
A Defesa Civil local já adiantou possíveis alagamentos em trechos urbanos e rurais. Produtores devem avaliar drenagem, adubar apenas em solo com capacidade de absorção restabelecida e adiar tratos culturais que exijam entrada de máquinas para evitar compactação.
Segundo o Instituto Nacional de Meteorologia (Inmet), o contraste térmico gerado pelas duas pontas – calor no interior e ar mais frio no Atlântico – explica a formação de núcleos de instabilidade que se deslocam lentamente ao longo da costa.
Como reduzir perdas diante do duplo extremo
1. Revisar o calendário de pulverização: altas temperaturas e umidade relativa baixa reduzem eficiência de calda; já no litoral o problema é a lavagem de produto pela chuva.
2. Intensificar o uso de estações meteorológicas ou aplicativos de microclima para decisões intradiárias.
3. Ajustar taxas de irrigação conforme evapotranspiração real, evitando tanto déficit hídrico no interior quanto saturação hídrica na costa.
4. Antecipar a colheita de lotes já maduros em áreas quentes para preservar qualidade de grãos ou frutos.
O ponto que mais chama atenção é a convivência de dois extremos em um mesmo período, reforçando a necessidade de monitoramento contínuo e plano de contingência regionalizado. Para o produtor, o impacto pode significar desde custo extra com insumos até perda direta de produtividade se as decisões forem tomadas tarde demais.
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Crédito da imagem: Comprerural Fonte: Comprerural
