Piá Cooperativa entra em liquidação para renegociar dívidas
Piá Cooperativa terá a sigla “EM LIQUIDAÇÃO” em seu nome social a partir de hoje. A assembleia geral extraordinária realizada nesta quinta-feira (26/3) aprovou, por unanimidade, a abertura do processo de liquidação, movimento previsto em lei que suspende ações judiciais e cria espaço para renegociar dívidas e atrair novos recursos.
Por que a liquidação foi adotada agora
Com 20.066 associados e capacidade instalada para processar 1 milhão de litros de leite por dia — volume que atualmente está bem abaixo do potencial — a cooperativa gaúcha enfrenta um cenário de caixa apertado. Entre 35% e 40% dos débitos concentram-se em Banrisul, Sicredi e Banco Regional de Desenvolvimento do Extremo Sul (BRDE). Outros 20% dizem respeito a taxas e tributos; o restante envolve diversos credores.
Segundo o agora liquidante Jorge Dinnebier, a medida dá “condições mais seguras” para esticar prazos, baixar juros e negociar descontos, etapas consideradas essenciais para reequilibrar operações sem interromper a coleta de leite dos cooperados.
Como fica a governança durante o processo
O conselho de administração foi dissolvido e substituído por um Conselho Fiscal que trabalhará lado a lado com o liquidante. Prestação de contas ocorrerá a cada dois meses, garantindo transparência aos produtores. Esse arranjo equivale, no universo empresarial, a uma recuperação extrajudicial, mas segue regras específicas do cooperativismo.
Busca por parceiro e meta mínima de 200 mil L/dia
Dinnebier adiantou à Globo Rural que há dez propostas sobre a mesa. Todas preveem aporte de capital capaz de garantir, no curto prazo, a movimentação mínima de 200 mil litros de leite diários — patamar considerado indispensável para diluir custos industriais e retomar margem. Os modelos variam de joint venture a entrada de investidor estratégico, e serão analisados pelos associados ao longo do período de liquidação.
Impacto direto para o produtor de leite
Na prática, a decisão preserva a coleta, evita que ações de cobrança paralisem as fábricas e dá fôlego para que a Piá volte a pagar insumos e produtores em dia. Caso a renegociação avance, projeta-se melhora no fluxo de caixa, redução de risco de calote e retomada gradual do volume industrializado.
Movimentos semelhantes já ocorreram em outras cooperativas lácteas, como mostra levantamento da Organização das Cooperativas Brasileiras (OCB), reforçando a liquidação como ferramenta de ajuste sem ruptura da cadeia produtiva.
Para produtores que fornecem à Piá, o próximo passo é acompanhar as assembleias bimestrais e avaliar ofertas de investidores. Qualquer mudança societária precisará do aval do quadro social.
Decisões financeiras que afetam entrega, preço do leite e fluxo de caixa do cooperado entram diretamente na gestão econômica da fazenda. Siga nossa editoria de eficiência econômica para entender como ajustes de mercado podem influenciar planejamento, rentabilidade e investimentos no campo.
Crédito da imagem: Globorural.globo Fonte: Globorural.globo
